Na sua primeira obra, a autora, que também é professora de dança do ventre, remete o leitor às origens mítico-ritualísticas das artes, a dança feminina explica como celebração arcaica vem cada vez mais encantando praticantes e espectadores.
Segundo Ana Cristina, a mulher que dança, revive e reencena essa experiência ancestral através dos séculos, proferindo um eloqüente e sedutor discurso no qual o corpo feminino explora suas potencialidades e esgarça seus limites, expressando em gestos e movimentos rítmicos uma poesia que fala aos deuses de todos os tempos. A idéia, de acordo com ela, é mostrar como o bailado descompassado do tempo, transformou a dança em liturgia, em entretenimento, em pecado.
No livro, a autoria mostra que na dança dos séculos, a dançarina tornar-se-ia a artista, a banida, a prostituta, a proscrita, segregada, excluída, contudo, sempre envolta numa aura de desejo e sedução que asseguraria a permanência em cena da mulher que dança. “A bem da verdade, não foram poucas as mulheres alçadas à condição de mito em decorrência do fascínio exercido por suas danças. De Salomé a Isadora Duncan, a dança feminina tem assombrado e alimentado o imaginário da nossa civilização”, registrou a professora Sandra Luna que escreveu o prefácio do livro.
A especialista afirmou ainda que o livro enleva as mulheres e a feminilidade, paixão que move a autora em seu desejo de nos arrebatar para o universo mágico da dança feminina, convidando o leitor a perfazer uma trajetória intelectual que articula história da arte, teorias e análises do discurso, ampliando, assim, as sendas, por vezes estreitas, dos percursos autorizados pela academia.