quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O RASTRO ÁRABE NA ARQUITETURA DE OLINDA


A cidade de Granada, localizada no sul da Espanha, aos pés da serra Nevada, é um tesouro da arte e da arquitetura. O castelo vermelho, batizado pelos árabes de Alhambra, fica no topo do monte Al Sabika e é um símbolo do esplendor da época em que o povo árabe dominava o Oriente Médio, o norte da África e toda a Península Ibérica. A construção do século treze é, atualmente, um dos principais pontos turísticos de toda a Europa, visitado, a cada ano, por aproximadamente três milhões de pessoas. São turistas do mundo todo que vêm conhecer a beleza e o mistério do castelo vermelho. O guia Jorge Luiz Gimenez trabalha na região há trinta anos e, para ele, a razão do lugar despertar tanto interesse reside num fato especial: “Alhambra é considerado pela Unesco uma das maravilhas do planeta. Não somente da Espanha, mas do mundo inteiro”, explica o guia. Em torno do Al Sabika fica o lado mais antigo de Granada, o bairro conhecido como Albaicín. O tempo não apagou a marca da presença dos árabes, já que Granada foi a última cidade da Espanha a ser reconquistada pelos reis cristãos em 1492. Todas as mesquitas - templos religiosos dos mulçumanos - foram transformadas em igrejas católicas; os minaretes, locais de onde o sacerdote mulçumano convocava os fiéis para as orações, tornaram-se torres para sinos. O bairro de Albaicín é um dos sítios históricos mais antigos e bem preservados de toda a Espanha, para manter viva a área onde Granada nasceu e floresceu. É nesse bairro que a cidade antiga se caracteriza por ruas muito estreitas, tão apertadas e sinuosas que mais se parecem com um labirinto. O professor de Antropologia Política da Universidade de Granada, Gonzales Alcantud, pesquisa há quase trinta anos o imaginário da cultura árabe e já tem doze livros publicados sobre o assunto. “Uma das mais fortes características das cidades árabes é o urbanismo complexo e sem planejamento”, diz o especialista. De Granada, nossa viagem segue para Lisboa, a capital de Portugal. A cidade cresceu sobre sete colinas e, em uma delas, fica o bairro mais antigo: Alfama, também fundado pelos árabes no século nono. Alfama era um lugar de chão de pedra, cheio de ladeiras e casas simples. Nas ruas, cercadas pelas muralhas do castelo de São Jorge, mulçumanos, cristãos e judeus conviveram em paz. ALÉM-MAR Lisboa cresceu, modernizou-se e Alfama mudou de cara, mas o desenho urbano criado há doze séculos permaneceu – e se expandiu junto com os portugueses. As embarcações de Cabral cruzaram o oceano Atlântico e os lusitanos trouxeram para o Brasil, na memória e nos hábitos, séculos de influência árabe. Num passeio por Olinda, encontramos provas dessa herança cultural, revelada no desenho urbano do sítio histórico da cidade. Assim como Lisboa, a cidade pernambucana surgiu sobre sete colinas; e como o bairro da Alfama, também é cortada por becos, ladeiras e longas escadarias. “As ruas estreitas levam, precisamente, ao mesmo tipo de visualização e circulação presente em Alfama e que estava presente na Lisboa da baixa, que foi modificada no período do Pombal”, explica o arquiteto e pesquisador pernambucano José Luiz da Mota Menezes. Ele continua: “Pode apenas ter coincidido, mas a escolha feita por Duarte Coelho do lugar, ou seja, o Alto da Sé com as devidas colinas que foram ocupadas gradualmente, em seguida a visão da várzea, isso deu a idéia de que tudo não foi fruto de um acaso”, acredita.

Fonte; www.pe360graus.com.br